Diretor-Presidente da EMGEA é entrevistado pela Revista das Estatais

Diretor-Presidente da EMGEA em entrevista à Revista das Estatais
Diretor-Presidente da EMGEA em entrevista à Revista das Estatais

ARTIGO DO CEO
Revista das Estatais - Edição nº 4

Antes de estar Diretor-Presidente da Empresa Gestora de Ativos S.A. - EMGEA, sou filho de “seu” Pelópidas e de dona Lita - o mais velho, de um total de seis irmãos. Deixamos Campina Grande, na Paraíba, onde nasci em 1954, e chegamos a São Paulo em 1966, nordestinos e pobres, como a grande maioria dos imigrantes que ali aportavam.
Meu primeiro emprego, quando ainda se podia começar a trabalhar com essa idade, foi o de office boy, aos doze anos. Nisso repeti meu pai, que foi meu grande exemplo de vida. De minha mãe, guardo até hoje as palavras: - “Ao lidar com dinheiro dos outros, cuide dele como se fosse seu, mas não se esqueça que não lhe pertence.” Essa lição eu trouxe para minha vida profissional: acredito que o administrador sério tem de se preocupar, sempre e em primeiro lugar, com a coisa pública. Manusear o que não é nosso torna maior a responsabilidade de tê-lo a nossos cuidados.
Foram mais de cinquenta anos de luta, desde o início como office-boy até tornar-me Diretor-Presidente da Empresa Gestora de Ativos S.A. - EMGEA, empresa pública do Governo Federal.
Minha formação profissional se construiu basicamente no Banco do Brasil, onde ingressei por concurso público em 1974 e lá permaneci por trinta anos, os últimos dez como executivo da empresa. Uma escola maravilhosa, que efetivamente me preparou para a vida e para o mercado.
Meus estudos acadêmicos tiveram início na UNIFOR Universidade de Fortaleza, onde bacharelei em Direito, e prosseguiram através de especializações cursadas entre 1996 e 2000, sob a égide da Universidade Banco do Brasil: Formação para Altos Executivos, pela FGV Fundação Getúlio Vargas; Finanças, pela Fundação Dom Cabral; Executivo Internacional, pela APG Amana Key; e Governança Corporativa, pela FIPECAF USP. Esses estudos me capacitaram para os desafios que sobreviriam durante minha carreira no Banco do Brasil e também para os que se apresentaram depois que encerrei minha trajetória nesse gigante do mercado financeiro.
Naquela estatal, fui gerente-geral de agência, por cinco anos, e superintendente estadual no Ceará, em Minas Gerais e no Distrito Federal, de 1994 a 2002. De 2003 até 2008, após aposentar-me do Banco do Brasil, atuei nos setores público e privado: fui secretário de turismo do Governo do Estado do Ceará, superintendente de Governo Federal do Grupo Santander Banespa, presidente da Dan Herbert S/A Construtora e Incorporadora, e criei a minha própria empresa de consultoria.
Em maio de 2016, após atuar no setor privado e ter sido conselheiro de algumas empresas (sou certificado pelo IBGC como Conselheiro de Administração), fui convidado para ser Diretor-Presidente da Empresa Gestora de Ativos S.A. - EMGEA, com o imenso desafio de promover a continuidade da estatal, que então vivia uma grande crise em face da diminuição das carteiras de ativos adquiridas da Caixa Econômica Federal quando de sua criação, em 2001, e posteriormente, em 2014 (à medida que os créditos sob gestão da empresa são recebidos, seus ativos totais diminuem). Além disso, a empresa se ressentia (e ainda ressente) da não novação de dívidas, pela União, de créditos da EMGEA perante o FCVS, que perfazem cerca de 81% dos ativos da empresa.
Em minha posse, sequer existiam assegurados os recursos necessários para a folha de pagamento da EMGEA do mês seguinte e era clara a disposição do acionista controlador de encerrar as atividades da empresa.
No entanto, ao longo de minha experiência profissional pude ver demonstrado que recuperar créditos, embora necessário a quaisquer bancos e quaisquer esferas governamentais, é matéria que consome seus recursos e que foge a seu escopo, o que habitualmente se traduz em ineficiência.
Assim, em conjunto com toda a Diretoria da EMGEA, e todo seu corpo funcional, busquei preparar a empresa – única empresa pública federal especializada - para continuar a atender à sua demanda original, de recuperar créditos oriundos da administração pública federal, e também para prestar outros serviços ao Governo.
Neste período de minha administração, promovemos o aprimoramento dos processos da organização e dos instrumentos de gestão. A empresa prosseguiu na sua estratégia exitosa de conceder abatimentos de acordo com a realidade dos créditos, facilitando a conciliação (os esforços conciliatórios da EMGEA, em sintonia com a Justiça Federal, já renderam um resultado de cerca de R$ 3 bilhões), mas sem jamais incentivar a cultura da inadimplência, expressa popularmente no pensamento de que “se eu não pagar lá na frente, vou pagar bem menos”.
O processo de governança corporativa foi aprimorado e integralmente alinhado às exigências da Lei das Estatais (Lei nº 13.303, de 30.6.2016) e do Decreto que a regulamentou (Decreto nº 8.945, de 27.12.2016), e das Resoluções da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União - CGPAR, o que rendeu à EMGEA o Certificado Nível 1 na 1ª Certificação do Indicador de Governança IG-SEST, criado pela Secretaria de Coordenação e Governança de Empresas Estatais - SEST, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, com o “objetivo de acompanhar o desempenho da qualidade da governança das empresas estatais federais, para fins de mensuração do cumprimento dos requisitos exigidos pela Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, regulamentada pelo Decreto nº 8.945, de 27 de dezembro de 2016, e diretrizes estabelecidas nas Resoluções CGPAR, buscando conformidade com as melhores práticas de mercado e maior nível de excelência”.
Gostaria de destacar que desenvolvemos, na própria empresa, uma plataforma tecnológica que permitiu internalizar parte dos contratos das carteiras de créditos, que eram, até então, processados em sistemas corporativos de empresa contratada para a prestação de serviços. O desenvolvimento dessa plataforma representa um marco no processo de recuperação de créditos na EMGEA, na medida em que oferece ferramentas próprias e específicas para gerir e acompanhar o desempenho das carteiras de créditos, e também possibilita a contratação de novas empresas prestadoras de serviços, para incrementar os esforços de cobrança e geração de resultados (no quarto trimestre de 2017 foram contratadas quatro novas prestadoras de serviços).
Além disso, com essa plataforma dotamos a empresa de recursos tecnológicos para abarcar os novos negócios que decorram de novas aquisições de carteiras de créditos ou da prestação de serviços de cobrança administrativa de créditos sob gestão da Secretaria do Patrimônio da União - SPU  ou de outras entidades da administração pública federal.
Em 2017, coroando nossos esforços, dois atos normativos vieram ampliar as possibilidades de negócios para a EMGEA: a Lei nº 13.465, de 11.7.2017, possibilitou à EMGEA prestar serviços de cobrança administrativa e de arrecadação de receitas patrimoniais sob a gestão da SPU; e a Lei nº 13.530, de 7.12.2017, permitiu às empresas e instituições financeiras adquirir ativos representados por financiamentos concedidos com recursos do Fundo de Financiamento Estudantil - FIES, bem como prestar serviços de cobrança administrativa e de administração de tais ativos, dispensado o processo licitatório nos casos de empresas públicas e de instituições financeiras oficiais federais.
Com isso, o ano de 2018 assinalou o início de um novo ciclo para a EMGEA, que está apta a continuar a atender a uma demanda inerente ao mercado de crédito e, particularmente, das instituições financeiras federais – a possibilidade de, mediante a transferência de ativos, promover a reestruturação patrimonial e a adequação do capital aos níveis exigidos pelas autoridades reguladoras – e preparada, também, para atender a demandas de entidades da administração pública federal, a exemplo da prestação de serviços de cobrança administrativa de créditos sob gestão da SPU.
Constituirá, também, grande desafio consolidar, com toda a equipe da empresa, uma cultura de compliance e gestão de riscos, condizente com as melhores práticas do mercado, aprimorando ainda mais a governança e blindando a EMGEA de quaisquer interferências indesejáveis, mitigando eventuais riscos que uma empresa desse porte não deve correr.
Só posso finalizar externando meu agradecimento ao Governo Federal que tem entendido e possibilitado, a mim e a toda a equipe da EMGEA, cuidar com zelo da coisa pública e expandir os negócios da EMGEA, reafirmar a Missão da empresa, de gerir e recuperar ativos, contribuindo assim para a eficiência da administração pública, essência do interesse coletivo que motivou sua criação e que justifica plenamente sua existência.
 


Voltar para o topo